Viagens como forma de terapia: experiência PNI
- drmonclaroleticia
- 24 de mar. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de mar. de 2024
Sempre falo sobre o poder do corpo. Mas para que eu treino? Para que desenvolvo meu poder?
Para conquistar as montanhas!

E a última aventura me fez me perceber o montanhismo de outro jeito, mas para que você entenda tudo é necessário voltar ao início e te contar o processo.
Comecei ha 3 anos no montanhismo quando descobri um golpe financeiro aplicado por um namorado da época.
Sem dinheiro e com o emocional abalado caminhar além de ser barato era libertador, descobri que era capaz fisicamente apesar da minha deficiência visual.

Isso me rendeu diversas quedas e amizades incríveis, porém outras nem tanto assim. No último ano fazia trilhas e escaladas com pessoas com menor nível de empatia, o que por um lado foi bom já que aprendi na marra a me virar - experimenta não enxergar muito bem e ficar a noite andando no mato sozinha porque seus parceiros não querem te esperar - por outro lado passei a ficar muito tensa e estressada nas descidas.
Logo eu não aproveitava todo o caminho. Não estava sendo pleno como anteriormente.
Não foram raras as descidas em que quase chorava de medo pelo o que não via. Me perguntei muitas vezes o que estava fazendo ali.
A temporada de montanaha acabou - começa em abril e acaba em setembro - e o ciclo de convivência mudou consegui voltar ao meu ciclo primário no montanhismo e desta "volta para casa" veio o convite para ir ao Parque Nacional do Itatiaia (PNI).

Trilhas mais técnicas me deixaram nervosa mas me consolei falando que estava treinando constantemente e que nenhum dos picos a volta seria a noite então ficaria bem.
O que não me atentei era que a companhia era completamente diferente e isso mudou a experiência. Fui com um amigo das antigas o Abias da empresa de turismo Vou Por Aí, inclusive foi com eles que iniciei no montanhismo. Na minha primeira teilha ele me deu a mão e me conduziu como uma criança mas essa é história para outro post.
Como foi terapêutico me sentir segura nas montanhas de novo já que dependendo de como meu bastão de caminhada aranhava no chão ou o barulho da bota o Abias prontamente se dispunha a me ajudar. A todo tempo atento e cuidadoso, foi muito bom perceber o que já era óbvio:
Se sentir capaz é importante.
Mas estar com pessoas que te ajudam no processo o torna mais leve!

Na volta refletindo percebi que o problema não estava na minha deficiência visual, está infelizmente eu não tenho poder de mudança - se tivesse uma forma de ver mais com certeza eu já teria adotado- mas sim na capacidade das pessoas de serem empaticas e parceiras. O peso da culpa, o medo e estresse gravados em mim foram embora!
Essa transformação só foi possível pois saí do piloto automático e vi e vivi situações fora da bolha. Viajar te permite isso!
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